A Rosa que também escrevia Poesia


E de novo a armadilha dos abraços
E de novo o enredo das delícias
O rouco da garganta, os pés descalços
A pele alucinada de carícias

As preces, os segredos, as risadas
No altar esplendoroso das ofertas
De novo beijo a beijo, as madrugadas
De novo seio a seio, as descobertas

Alcandorada no teu corpo imenso
Teço um colar de gritos e silêncios
A ecoar no som dos precipícios
E tudo o que me dás eu te devolvo
E fazemos de novo, sempre novo
O amor total dos deuses e dos bichos

Rosa Lobato Faria
(1932 - 2010)

2 comentários:

Tulipa disse...

Gostei muito do poema. Li um livro da rosa Lobato Faria, assim meio sem querer e gostei muito, "A Flor do Sal". Acho que era assim o nome. kisses

Helga disse...

Curiosamente nunca li nada dela, mas ainda assim e no pouco que conheci, era alguém muito inspirador, pela simplicidade e pelo humor com que encarava a vida e a poesia. Vou ter saudades disso.